Vera da Silva Sinha, Antropóloga, Linguista e Professora. Contato: Este endereço para e-mail está protegido contra spambots. Você precisa habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
Nasci em Carazinho/RS e cresci na Região Norte do Brasil. Residi e me formei em Porto Velho, capital de Rondônia, local onde a minha família ainda reside. Atualmente resido na Inglaterra. Sou graduada em Letras Português pela Universidade Federal de Rondônia (1997), sou Mestre em Antropologia pela Universidade Federal de Pernambuco (2000), e também Mestre em International Criminal Justice pela University of Portstmouth-Inglaterra (2006), onde fiz uma estudo comparativo sobre violência domestica no Brasil e na Inglaterra. Meu doutorado foi em Linguística pela University of East Anglia-Inglaterra (2018).
Através dos anos consegui compatibilizar a carreira de pesquisadora com uma carreira na justiça criminal como policial, agente de segurança e professora no Brasil e no Reino Unido. Eu tenho vasta experiência em atividades com diferentes contextos sociais e culturais, bem como vários tipos de grupos sociais.
Pesquiso principalmente temas como: identidades indígenas, narrativas míticas, número e conceitos quantificacionais, espaço, movimento e tempo em línguas e culturas; pesquiso também sobre violência doméstica em geral.
Apresentei mais de 10 trabalhos e organizei e ministrei outros tantos workshops internacionais relacionados ao trabalho de pesquisa campo, pesquisa de documentação e envolvimento de comunidades.
Fui Agente de Polícia entre os anos 1994 e 2003 da Policia Civil do Estado de Rondônia/Brasil.
Tenho experiência em treinamento profissional que inclui ensino e treinamento para policiais em vários temas, que vão desde a língua Portuguesa a Direitos Humanos.
Tenho experiência em coordenação do curso, projetos e organização de conferência.
Na Inglaterra trabalhei como Race Equality Community Liaison (PRENO/HM Prison Services) no período de 2007- 2009; nesse cargo, tive como atribuições a responsabilidade de: 1- construir e produzir formas de relações entre indivíduos de diferentes culturas dentro das prisões e entre eles e membros das comunidades em geral; 2- facilitar e proporcionar interação entre diferentes comunidades e os Serviços Prisionais; 3- aumentar a conscientização sobre o trabalho dos Serviços Prisionais e do papel dos indivíduos, grupos comunitários neles envolvidos, além de integrar na vida do sistema prisional, os prisioneiros negros e os de minorias étnicas 4- atuar na Capacity Building dentro das comunidades para verificar lacunas de serviços do sistema prisional e auxiliar a criar campeões, tais voluntários para trabalhar com tradução nas prisões e o centro de Imigração local em Gosport, Portsmout e Isle of Wight, e outros voluntários das comunidades vizinhas que queriam trabalhar com apenados e com Serviço Penitenciário.
Mais informações sobre minha carreira acadêmica podem ser encontradas nos seguintes sítios da web:
ATUAÇÃO
Ao longo desses anos tenho trabalhado com diferentes comunidades indígenas no Brasil e a minha paixão é aprender sobre as diferentes culturas, línguas e visões de mundo das várias etnias indígenas brasileiras.
As áreas de pesquisa de minha preferência são linguagem, cultura e cognição, e o foco principal das minhas pesquisas mais recentes tem sido a questão de conceitos de tempo na cultura indígena.
A minha nova pesquisa está relacionada em verificar quantificação, tempo e comunicação multimodal das comunidades indígenas. Nessa pesquisa utilizaremos diferentes métodos de antropologia, linguística e psicologia.
Além de ser uma etnógrafa, também tenho trabalhado com pesquisa experimental e análise estatística. Desenvolvo projetos de pesquisa que tratam sobre violência doméstica e segurança pública.
Além de desenvolver pesquisas acadêmicas, atualmente coordeno um Projeto (humanitário e voluntario) sobre desinformação sobre a pandemia; o objetivo dessa pesquisa é construir ferramentas de comunicação cuja linguagem seja comum às comunidades indígenas, visando minimizar o impacto da COVID-19 nos habitantes dessas comunidades, principalmente criando formas de combater a infodemic que está sendo circulada nas aldeias.
Ministro cursos sobre as seguintes temáticas: psicolinguística, língua e gênero, língua e poder, língua, cultura e pensamento, cognição, documentação de língua, etnografia, ferramentas de documentação de língua, comunicação intercultural, metodologias de pesquisa em Antropologia e sociologia, antropologia da saúde, Língua Portuguesa e Direitos Humanos, para estudantes de graduação e pós-graduação no Brasil e na Inglaterra.
TRABALHOS PUBLICADOS
Artigos em Jornais científicos:
SILVA SINHA, V. da. (2019) Event-based time in three indigenous Amazonian and Xinguan cultures of Brazil.
Frontiers in Psychology (Section Cultural Psychology) 10, 454 1-21. doi:
10.3389/fpsyg.2019.00454
SILVA SINHA, V. da, Sampaio, W. Sinha, C. (2017). The many ways to count the world: counting terms in indigenous languages and cultures of Rondônia.
Brief Encounters 1.1 DOI: h9p://dx.doi.org/10.24134/be.v1i1.
http://briefencounters-journal.co.uk
Sampaio, W., Sinha, C., SILVA SINHA, V da. and Zinken, J. (2017). A noção de tempo: uma construção social e linguística. Revista Brasileira de Linguística Antropológica 8.1: 47-60.
Sinha, C., SILVA SINHA, V. da, Zinken, J. and Sampaio, W. (2011) When Time is not Space: The social and linguistic construction of time intervals and temporal event relations in an Amazonian culture. Language and Cognition 3(1): 137-169. DOI 10.1515/ LANGCOG.2011.006.
SILVA, Vera da and Sampaio, Wany (1996). Os Uru-eu-uau-uau de Rondônia: em busca de si mesmos. Revista Internacional da Associaçom Galega da Língua - AGÁLIA - n.º 48 - Inverno 1996.
SILVA, Vera da and J. Henriques (1996). Os Últimos Moicanos de Rondônia. Revista Internacional da Associaçom Galega da Língua - AGÁLIA - n.º 45 - Primavera 1996; Galizia - Espanha; 25p.
Artigos em Volume organizados:
SILVA SINHA, V. da and Mello, H. (In press, accepted). Indexicalization and lexicalization of event-based time intervals in Huni Kuĩ, Awetý and Kamaiurá, in Ulrike Schröder, Milene Oliveira, and Adriana Tenuta (eds.) (Inter)Cultural perspectives on metaphorical conceptualizations. De Gruyter Mouton. Expected publication date December 2020.
SILVA SINHA, Vera da, Moreno Núñez, A., Tian, Z. (2020) Language, Culture and Identity: Signs of Life. Cognitive Linguistics Studies in Cultural Contexts Series 13. Amsterdam: John Benjamins, pp. 1-6.
Sampaio, W., SILVA SINHA, V. da and Sinha, C. (2020). Embodiment, personification, identity: Metaphor and world view in a Brazilian Tupian culture and language. In Vera da Silva Sinha, Ana Moreno Núñez and Zhen Tian (eds.) Language, Culture and Identity: Signs of Life. Cognitive Linguistics Studies in Cultural Contexts Series 13. Amsterdam: John Benjamins, pp. 179-200.
Cabral, S. Sampaio, SILVA SINHA V. da. (2016) Indigenous Language Policies in Brazil: Training Indigenous People as Teachers and Researchers. In Martin Pütz and Luna Filipovic (eds.) Endangered Languages and Languages in Danger: Issues of documentation, policy and language rights. IMPACT Series: Studies in Language and Society. Amsterdam, John Benjamins, pp. 45-59.
Sinha, C., SILVA SINHA, V. da, Zinken, J. and Sampaio, W. (2016). When time is not space: The social and linguistic construction of time intervals and temporal event relations in an Amazonian culture (Revised and reprinted version of Sinha et al. 2011). In Lewandowska-Tomaszczyk, B. (Ed.) Conceptualizations of Time. Human Cognitive Processing Series 52. Amsterdam, John Benjamins, pp. 151-186.
SILVA SINHA, V. da, Sinha, C., Sampaio, W. and Zinken, J. (2012) Event-based time intervals in an Amazonian culture. In Filipović, L. and Jaszczolt, K. (Eds.) Space and Time in Languages and Cultures II: Language, Culture, and Cognition. Human Cognitive Processing Series 37. Amsterdam: John Benjamins, pp. 15-35.
Sampaio, W., Sinha, C. & SILVA SINHA, V. da. (2009) Mixing and mapping: motion, path and manner in Amondawa. In Jiansheng Guo, Elena Lieven, Nancy Budwig, Susan Ervin-Tripp, Kei Nakamura, Şeyda Őzçalişkan (eds.) Crosslinguistic Approaches to the Study of Language. Research in the tradition of Dan Isaac Slobin. London and New York: Psychology Press, pp. 427-439.
Sampaio, W., Sinha, C. and SILVA, V. da (2004) Estudo descritivo/analítico dos eventos de movimento na língua uru-eu-uau-uau, dialeto Amondawa. Centre for Linguistic Research of Amazonia, Lingua Viva, 2: 5-13.
Livros:
SILVA, Vera da, Sampaio, Wany and Miotello, Valdemir (2006) Mitos Amondawa. (Amondawa Myths). 1st edition 2004 and 2nd edition 2006. Porto Velho: Edufro.
Sampaio, Wany & SILVA, Vera da. (1999) Os Povos Indígenas de Rondônia. (The Indigenous Peoples of Rondônia). 1st edition 1997 and 2nd edition 1999. Editora da Universidade Federal de Rondônia.
SILVA, Vera da. (1997) Amondava: Uma História de Perdas. (Amondava: A Story of Loss). GAPI, Ouro Preto d’Oeste/RO.
Documentarios, Podcast e Tedx:
05/2018. Video Screening, “Time in Culture.” Manifesto Film Festival, Amsterdam.
09/2016. Inspire Fieldwork video screening. PGR showcase. UEA Faculty of Arts and Humanities.
2012 TV feature: My collaborative research into the linguistic and cultural conceptualization of time was featured in 2012 in the Discovery Science TV series Through the Wormhole with Morgan Freeman. This followed global print media coverage of this research in 2011/2012.
PROJETOS
Educação sem Rótulo!
Ao longo dos anos tenho desenvolvido projetos e treinamentos relacionados a educação para jovens e adultos, educação indígenas e revitalização e documentação de línguas e culturas. Veja alguns projetos recentes.
Documentação e educação indígena
09/09/2017- 09/09/2018 Wary Kamaiura e Vera da Silva Sinha “Awetý language and culture documentation: initiating project” Endangered Language Fund. http://www.endangeredlanguagefund.org/
O Projeto foi desenvolvido por Wary Kamaiura em parceria com Vera da Silva Sinha – um trabalho que registrou contos, musicas, danças e artefatos da atividade tradicional da vida cotidiana desenvolvida por: mulheres, homens, crianças, idosos indígenas do povo Awetý no Xingu.
Produção didática – Projeto Açaí
Projeto desenvolvido em parceria com a Professora Wany Sampaio, em três etapas, no estado de Rondônia. O método de ensino de ensino utilizado no projeto é o descritivo-comparativo, com uma abordagem socialinteracionista; trabalhando com mais de 20 línguas em uma sala de aula, o método estruturalista nos permite uma comparação formal de unidades linguísticas entre si em sala de aula. O conteúdo estrutural das línguas foi desenvolvido para aprimorar o conhecimento linguístico dos professores falantes nativos (indígenas), não de suas línguas, mas sobre suas línguas maternas.
A abordagem sociointeracionista nos permitiu estimular os alunos a interagir uns com os outros e compartilhar sua cultura e seu conhecimento linguístico em sala de aula. Isso permitiu aos alunos adquirir, expandir vocabulários, expressão linguísticas, estrutura linguísticas e usos linguísticos culturais de cada língua representado na sala de aula.
Observamos que um dos resultados da execução desse projeto foi promoção de um ambiente mais interativo durante o aprendizado e mais momentos de trocas de experiências entre alunos e professoras e alunos; outro resultado foi que cada aluno se tornou professor formado com conhecimentos linguísticos e culturais necessários para se adaptar à sua realidade no seu ensino (labor) quotidiano, emponderando suas identidades, as suas línguas e as respectivas tradições culturais, bem como documentando sua língua e cultura.
A seguir, os materiais didáticos elaborados após a execução desse projeto:
Sampaio, W. B. A, SILVA SINHA, Vera da (Eds.). (2014) Pequeno vocabulário lexical e de sistemas de contagem dos povos indígenas de Rondônia. Porto Velho-RO: SEDUC Projeto Açaí II - Formação de Professores Indígenas de Rondônia (Desenvolvimento de material didático ou instrucional - Fascículo).
Sampaio, W. B. A., SILVA SINHA, Vera da (Eds.). (2014) Ensaios de escrita da oralitura por professores indígenas de Rondônia. Porto Velho-RO: SEDUC Projeto Açaí II - Formação de Professores Indígenas de Rondônia (Desenvolvimento de material didático ou instrucional - Fascículo).
Projeto sobre Infodemia
O principal objetivo desse projeto é atender à necessidade urgente de compreender a “infodemic” (este termo significa a desinformação) sobre a pandemia COVID-19 que circula no Brasil e no mundo, com um foco particular em seu impacto nas comunidades indígenas brasileiras.
O projeto tem como público-alvo os integrantes de três comunidades indígenas (Amondawa, Huni Kuĩ e Awetý) nos seguintes estados brasileiros: Rondônia, Acre e Mato Grosso.
Os demais objetivos do projeto são identificar os principais temas que constituem a infodemia, ou seja, a pandemia de desinformação “infodêmic” e construir um kit de comunicação para combater a desinformação.
Para desenvolver a pesquisa (objeto do projeto) será utilizada a combinação dos métodos qualitativos (entrevistas e observação) e quantitativos (Survey).
O projeto da pesquisa será desenvolvido por pesquisadores nativos de cada comunidade e pesquisadores de diferentes instituições, em colaboração.
Os resultados dessa pesquisa incluem a construção de ferramentas de comunicação que fornecem conhecimentos e detalhes específicos sobre a COVID-19 de uma forma cultural e linguisticamente apropriada. Além disso, o material produzido irá servir de base para promover capacitação de agentes de saúde nas comunidades e sua disseminação para outras comunidades indígenas.
Demais objetivos do projeto:
1) Identificar e analisar informações e desinformações sobre COVID-19 que estão circulando nas aldeias, com foco nas origens, transmissão e tratamento da doença;
2) Identificar e analisar conflitos de comunicação dentro e entre fontes governamentais, profissionais de saúde que atuam nas aldeias e outras agências (FUNAI, CASAI);
3) Desenvolver maneiras de comunicar informações confiáveis e que salvam vidas no contexto das culturas indígenas e das normas e padrões indígenas de comunicação.
4) Criar e divulgar um kit de ferramentas de comunicação que forneça detalhes específicos sobre COVID-19 e outras doenças de uma forma cultural e linguisticamente apropriada.
Equipe de Pesquisa:
Pesquisadores nativos:
Dr. Joaquim Kaxinawa, Dr. Wary Kamaiurá Sabino, Dr. Nanbla Gakran and Tambura Amondawa, Dra. Altaci Kokama são os pesquisadores nativos nas comunidades indígenas. Seus papéis na implementação da pesquisa em suas respectivas comunidades são fundamentais para o desenvolvimento e implementação deste projeto.
Pesquisadores envolvidos diretamente com a pesquisa de campo:
Dra. Vera da Silva Sinha – pesquisadora nas áreas de antropologia e linguística.
Dra. Zenith Delabrida – pesquisadora nas áreas de psicologia ambiental e psicologia de credibilidade informacional.
Professora Heliana Mello – pesquisadora nas áreas de linguística cognitiva e corpus analises.
Dra. Fernanda Cavalcanti – pesquisadora nas áreas de linguística cognitiva e metáforas.
Dr. Mário Martins - pesquisador na área de psicologia ambiental.
Dr. Anais Augé – pesquisadora de linguística, meio ambiente e doença
Kedma Valérira Souza e Kílvia dos Santos Barbosa – Pesquisadoras (estudantes) em psicologia ambiental e psicologia de credibilidade
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